Agressividade na sala de aula: estratégias que podem ajudar você educador
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Agressividade na sala de aula: estratégias que podem ajudar você educador

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O que você faria no lugar de Talita?

Talita é professora do segundo ano. Muito organizada, responsável e comprometida. Animada para iniciar o trabalho com sua nova turma, separa seu material, pega seu carro e vai encontrar seus novos filhos do coração.
Logo que chega percebe que há uma agitação no ar. As crianças falam demais, gritam e insultam-se o tempo todo. Passa o dia, Talita está bastante cansada, mas pensa:

“O primeiro dia é assim mesmo, estamos nos adaptando”.

Mas passa uma semana…. e depois um mês… e mais um mês e encontramos Talita nem um pouco animada conversando com outras colegas de trabalho:

“Não sei mais o que fazer. Toda hora tenho que parar a aula para repreender os alunos. Cansei! Eu só queria entrar e dar minha aula. Será que é pedir muito? Definitivamente não dá mais! Resolvi ficar indiferente. Vou entrar, dar a aula e pronto. Sem papo. Sem choro, nem vela. Estou muito desanimada.”

Quem é Talita? Talita sou eu, você ou qualquer uma de suas amigas e amigos educadores que não sabem mais o que fazer diante da agressividade das crianças.

Mas porque nossas crianças são agressivas?

Como nós educadores vamos recuperar nossa motivação para ensinar?

O que talvez você não sabe é que existem algumas estratégias simples que você pode lançar mão para melhorar o relacionamento professor-aluno.

Isso é o que vamos discutir nesse artigo.

 

AQUÉM DA AGRESSIVIDADE


criança agressiva

O primeiro passo para nos sentirmos conectados aos nossos alunos é compreender suas dores. Ainda mais em se tratando de comportamentos agressivos.

Por mais que nós como educadores fiquemos chateados e desanimados com estes comportamentos, uma verdade precisa ser compreendida: a agressividade não é causa é consequência.

Isso quer dizer que ao invés de olharmos para o comportamento dos nossos alunos devemos olhar para os sentimentos e emoções que estão provocando tais comportamentos.

Mas que sentimentos são esses? Que emoções são essas?
A agressividade é a manifestação da ausência do afeto. Sim, isso mesmo!

A criança só é agressiva porque não sabe demonstrar afetividade.

É como pensarmos no claro e no escuro. O escuro não existe, o que existe é a ausência da luz. Com a agressividade podemos pensar da mesma forma. A criança não é agressiva porque escolheu ser assim. Mas sim porque ela não aprendeu a ser diferente. Faltou a ela a luz, e a luz são os valores do afeto: o cuidado, o carinho, a atenção e o respeito.

Encontramos a causa: uma criança agressiva é uma criança que não sabe demonstrar afeto, por isso ela bate, xinga, destrói.

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TENHA EM MENTE: IGNORAR NÃO RESOLVE


criança agressiva

Quando nos relacionamos com crianças agressivas nossa tendência como educadores é também nos enrijecermos no trato com elas. Ficamos mais severos e rígidos para impor respeito. Ou então, fazemos como a Talita, ignoramos toda e qualquer manifestação das crianças na sala de aula.

Agora, sabendo que a agressividade surge da ausência de afeto, você realmente acha que ignorar e ser indiferente com os alunos é a solução? Talvez seja a solução para aguentar ficar na sala de aula por algumas horas. Mas no dia seguinte… no outro… no outro… e no outro o comportamento das crianças ainda será o mesmo.

Ao invés de agirmos pela indiferença, o melhor caminho é buscar conhecer a história de vida das crianças.

Com certeza nesta história vamos encontrar a ausência do afeto por duas situações principais:

  • LAR DESAJUSTADO
  • PAIS EXIGENTES

No primeiro caso, deparamo-nos com crianças cujos lares estão desestruturados pela situação da miséria socioeconômica com pais, que sofrendo pelas cobranças da vida material, acabam se tornando perversos e ignoram as necessidades emocionais dos filhos.

O mesmo ocorre em lares com o desamor, a violência e a vulgaridade que ensinam para as crianças a indiferença e a desvalorização dos sentimentos. Surgem, dessa forma, os medos, as angústias e os ressentimentos nas crianças, que se refletem na vida social na forma de agressividade.

No segundo caso, vemos que os pais exigentes sufocam seus filhos com posturas rígidas criando um ambiente de intranquilidade no lar, gerando na criança a culpa, a revolta e a raiva como maneira de extravasarem a pressão que recebem.

Ao sabermos de uma história de vida difícil nos sensibilizamos pela criança e movemos em nós um desejo verdadeiro de auxiliá-la.

 

MUDANÇA DE FOCO


criança agressiva

O que nos resta fazer?
Ao conhecermos a história de vida das crianças abrimos nosso coração para amá-las. Aqui está o segredo de professores, diretores, educadores e escolas que mudaram a realidade de suas crianças.

Como por exemplo o projeto Fazendo Minha História, Instituto Fazendo História, do qual tive grande alegria em participar. É um projeto muito emocionante que mudou minha forma de olhar para crianças agressivas.

Ou como o exemplo do diretor que mudou a realidade das crianças de uma escola dominada por traficantes veja aqui esta história inspiradora.

O amor nunca será despertado na criança, senão pelo próprio amor do educador.

Não se trata do mito do professor herói, como vemos nos filmes norte-americanos. Trata-se de transmitir os valores do afeto por meio do convívio, do exemplo e do contágio emocional.

A partir do momento em que mudamos o foco, começamos a enxergar o que cada criança tem de bom e passamos a nos afeiçoar a elas. Abraçá-las quando chegam, cumprimentá-las, olhar para elas, conversar sobre suas vidas são atitudes simples que transformam a relação professor-aluno e renovam nas crianças a vontade de aprender. Falamos com mais detalhes sobre afetividade e aprendizagem neste post aqui.

Não por acaso, lembrei-me do livro infantil Valfrido e Valfredo e o segredo de uma amizade. Valfredo é agressivo e persegue Valfrido na sala de aula. Mas a atitude da professora Celeste muda totalmente o relacionamento entre os dois alunos, justamente por conta de sua aproximação com Valfredo. Apesar de ser um livro infantil, é um excelente recurso para propor uma reflexão aos educadores. O livro está aqui neste link.

A solução é simples, sua prática é o desafio. Pois exige uma mudança de paradigma: deixar de olhar as crianças com seus problemas e passar a olhá-las como seres cheios de bons potenciais para desenvolver.
Esses potenciais só estão apagados e precisam de luz para acender.

A luz é você educador com seu amor, sua vontade de querer ver seus alunos felizes e com sede de aprender.

Queridos educadores, ficamos por aqui. Esperamos que esses esclarecimentos tragam esperanças a vocês. Deixe abaixo um comentário e compartilhe esse artigo com seus amigos!

Abraços e alegrias no trabalho.

Milena Barbosa

Coordenadora Pedagógica da Editora Artpensamento.



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2 Respostas

  1. Maristela Antonia Roberto
    | Responder

    Muito bom esta proximidade com a rotina da criança e aproximação da parte afetiva, na valorização de suas potencialidades, já tive esta experiência e estou analisando novamente a sala atual, amei a matéria…

    • artpensamento
      | Responder

      Oi Mariestela. Obrigada pelo apoio. É muito bom receber feedback de educadores que desejam realizar um trabalho com mais amor. abraços

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