A verdade que ninguém nunca contou a você sobre as ameaças na infância
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A verdade que ninguém nunca contou a você sobre as ameaças na infância

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“Se você não parar de chorar, eu vou…”

“Sai daí, senão…”

“Olha que o bicho papão está vindo!”

“Eu vou chamar a bruxa, aí só quero ver!”

“Dorme nenê que a cuca vem pegar…”

“Se você não guardar os brinquedos, vou dar tudo pras crianças carentes”.

Você que é pai, mãe ou educador se identifica com essas frases?

Pois é, honestamente, houve um tempo em que nós também achávamos que este tipo de abordagem era uma solução viável para a obediência das crianças, principalmente naqueles momentos mais críticos. Sabe, aqueles momentos do choro, da birra, do grito, da teimosia…

Muitas vezes na educação das crianças pequenas parece que nos faltam argumentos para convencê-las a fazerem o que acreditamos ser o mais correto ou o melhor para elas. As ameaças passam a ser o nosso melhor argumento.

No entanto, as ameaças que podem nos parecer inofensivas são um grande risco para a formação e o desenvolvimento emocional das crianças: a começar pelo medo que geram e a terminar por vários outros sentimentos e emoções conturbadas que começam a compor o caráter infantil e que vamos tratar neste artigo.

Longe de qualquer intenção premeditada em prejudicar a crianças, nossas intenções são as melhores: acreditamos que com as ameaças estamos educando nossas crianças a serem obedientes. Mas… nem tudo é o que parece. Será que realmente é o valor da obediência que elas estão aprendendo com nossas ameaças?

 

QUANDO SE TRATA DE COMPORTAMENTO, NEM TUDO É O QUE PARECE


educar com ameaças e medo

Muitos podem pensar:

“Será que o medo realmente não funciona? Oras, quando eu ameaço ele(a) faz tudo certinho”.

Outros podem pensar:

“Se as crianças não sentirem medo como vão aprender a ter respeito! Por isso que as escolas estão cheias de crianças desobedientes.”

Esses argumentos tem o seu valor, quando olhamos apenas para os comportamentos externos das crianças.

As crianças obedecem as ameaças por medo. Esse medo aparece porque a ameaça faz a criança ter conhecimento das consequências negativas de sua ação. Ora, quem não sente medo ao pensar que alguma coisa ruim pode nos acontecer?

Constrangida pelo medo que a intimida a criança muda o comportamento externo. Mas isso não significa, de forma alguma, que ela realmente compreendeu a importância da obediência. Ela apenas deixou de expressar externamente suas emoções. Mas quem é que sabe o que se passa em seu coração?

Aí está um grande equívoco que podemos cometer na educação. Inibindo a criança de demonstrar suas emoções, iludimo-nos acreditando que a estamos educando. Quando na verdade, podemos estar estimulando um conjunto de emoções e sentimentos conturbados que são grandes riscos para a formação do seu caráter e personalidade.

As ameaças e o medo, além de não corrigirem, estimulam a aquisição de comportamentos emocionais negativos, os quais separamos em cinco riscos ocultos.

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1o RISCO OCULTO: MENTIRA E DESONESTIDADE


educar com ameaças e medo

A criança que sofre a ameaça e muda o comportamento, ao ver que a reação dos pais ou educadores foi positiva diante da nova atitude, percebe que o comportamento da obediência é vantajoso e a rebeldia é nociva.

Esta aí então a primeira lição que nenhum pai ou educador quer ensinar: a mentira e a desonestidade.

Acabamos ensinando a serem dissimuladas, falsas e mentirosas a fim de conseguirem recompensas ou fugirem de castigos. No entanto, os sentimentos que as fizeram agir com desobediência continuam compondo seu caráter.

A criança fica em conflito entre o que verdadeiramente sente e o que deve fazer, sem sentir e compreender que o dever da obediência é importante.

 

2o RISCO OCULTO: EGOÍSMO


educar com ameaças e medo

Como assim o egoísmo? Pois é, o que você acha que a ameaça abaixo está ensinado às crianças?

“Se você não guardar seus brinquedos vou dar tudo para as crianças carentes.”

Uma excelente lição de egoísmo. A criança passa a ter medo de dividir o que tem, considerando que dividir é ruim, então é melhor usufruir de tudo sozinha.

 

3o RISCO OCULTO: INVEJA


educar com ameaças e medo

Esta é a clássica lição que ocorre entre irmãos, primos e amigos.

“Come logo senão vou dar para seu irmão.”

A criança não comerá tudo porque ela deseja, mas sim, por medo dela perder para o outro, então ela come para que o outro não tenha. O gérmen da inveja aparece no seu coração.

 

4o RISCO OCULTO: RETRAÇÃO


educar com ameaças e medo

Quando a criança é sempre abordada com ameaças que geram o medo, ela começa a perder a naturalidade das suas expressões ficando mais retraída e tímida.

Muitas vezes a retração é vista como um comportamento de criança boazinha, mas as ameaças inibem a autonomia.

Pois, ao invés de ajudarmos a criança a construir o discernimento para que ela saiba fazer escolhas, estimulamos a insegurança, impondo comportamentos que ela deve ter sem compreender.

A criança só vai se sentir segura quando alguém disser para ela que está agindo certo, esse comportamento gera muito sofrimento, além da ansiedade.

 

5o RISCO OCULTO: DISTANCIAMENTO AFETIVO


educar com ameaças e medo

Quando ameaçamos, nós mesmos podemos estar usando da mentira para intimidar a criança, como nas ameaças clássicas do bicho papão, bruxa, lobo mau, entre outros personagens.

Esses personagens que ocupam a posição dos vilões nas estórias infantis são justamente os que ameaçam e por isso mesmo a criança sente medo. Será que queremos que a criança sinta medo de nós? É este o lugar que queremos ocupar em suas vidas?

Ao fazer esta relação, a criança fica insegura emocionalmente. Em quem ela vai confiar para compartilhar suas emoções se os pais/educadores se comportam como vilões? Há então um distanciamento afetivo e a quebra dos laços de confiança.

 

Pais e educadores, mesmo que aparentemente a ameaças corrijam as crianças, elas causam danos muito maiores ao desenvolvimento emocional nesta fase tão importante da formação do caráter.

Na formação do caráter e inclusive no modo de transmitir o ensino deveria ser a bondade o princípio primordial e imperante: é certamente o mais poderoso de todos. (Pestalozzi)

Aproximarmos da criança para auxiliá-la no discernimento e na compreensão dos fatos que a envolvem, a fim de que ela perceba sua emoções, é o caminho que dará melhores frutos.

Com a Pedagogia do Amor de Pestalozzi vamos aprendendo outros recursos para educar em valores. Pois assim como a educação intelectual, a educação em valores tem suas regras e princípios que fazem dela uma verdadeira ciência.

Nosso desejo é de poder propagar esses conhecimentos para os pais e educadores, pois eles são tão importantes como o conhecimento do Direito é essencial para um advogado.

Queridos educadores e pais, ficamos por aqui. Esperamos que esses esclarecimentos estimule você.

E você, o que pensa sobre educar com ameaças? Compartilhe suas ideias abaixo!

Acha que algum amigo pode se beneficiar com este artigo? Então compartilhe com ele!

Abraços e alegrias no trabalho.

Milena Barbosa

Coordenadora Pedagógica da Editora Artpensamento.

 



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